Como convencer uma menina para sair com você sobre o texto

Síndrome do Pânico

2019.12.17 01:32 lilvalgreen Síndrome do Pânico

Todos sabemos que só existe uma coisa inevitável, a morte. Como você se sentiria pensando nisso 90% do seu tempo?
Essa é a minha realidade, e possivelmente a de muitas outras pessoas. Desde pequeno eu era muito ansioso, isso me atrapalhava mas nada grave, as coisas ficaram realmente ruins no meu primeiro emprego/estágio da vida. Eu havia me tornado Analista de Sistemas em uma empresa nacional muito valorizada, na época considerada a melhor empresa para se trabalhar no meu estado via indicativos de satisfação dos colaboradores registrados pela GPTW (Great Place To Work, ou em português, Grande Lugar Para se Trabalhar).
Sou diabético desde os 3 anos por uma disfunção, isso me faz parar no hospital diversas vezes durante minha infância, meu irmão mais velho também é, então creio que não sofri como ele por ter sido o primeiro. Ao começar no trabalho eu comecei a me sentir um pouco estranho, sofria de pressão baixa e não sabia (provavelmente por causa da diabetes descontrolada), trabalhava em meio ao ar condicionado (na direção dele) e a saída do trabalho era em uma praça muito quente. Eu também trabalhava no 19º andar e creio que toda essa mudança térmica e de altitude culminava em impactos diretos na minha pressão arterial.
Comecei a desenvolver uma certa alergia ao ar condicionado, sentia dores no peito, constantemente meu nariz entupia, sentia um gosto estranho na boca, sentia tontura por causa da pressão baixa, sonolência pois não dormia direito, estagiava pela manhã e de noite ia para faculdade (do outro lado da cidade). Sentindo falta de tempo para ir ao médico, comecei a consultar o "Dr. Google" onde quase todas as pesquisas de sintomas te revelava as piores doenças possíveis (câncer e por aí vai).
Me tornei hipocondríaco, creio que depois disso comecei a sentir coisas que eu nem estava de fato sentindo, era psicológico e cada vez mais eu me convencia que estava morrendo. Ao me abrir com os meus pais eu desabei, disse que pediria demissão, largaria a faculdade e que ia cuidar de mim mesmo. Após muitas conversas e indo contra a vontade de meu pai eu larguei "o estágio dos sonhos", porém continuei na faculdade (eu era bolsista do PROUNI).
Apesar de ir ao médico eu não fazia qualquer tipo de terapia ou visitava o psiquiatra, apenas fiz uma bateria enorme de exames (inclusive neurológicos), até me convencer que eu não estava doente. Porém não fazer terapia tinha sido um erro, pois eu tinha alguns ataques de ansiedade isolado, mas na época ainda não sabia dizer do que se tratava.
2 a 3 meses após deixar o estágio, durante a uma conversa normal com os meus colegas de faculdade eu tive uma crise de estresse misturada com ansiedade que elevou minha pressão do normal dela 10/6 para 19/12. Nesse dia eu quase desmaiei e foi terrível, graças aos meus amigos a Bombeira que trabalha na faculdade me salvou entrando em contato com meus pais e me encaminhando para o Pronto Socorro da Unimed, onde após vários exames cardiológicos fui diagnosticado com um caso de estresse excessivo.
Depois disso minha vida nunca foi a mesma, desenvolvi síndrome do pânico e fui posteriormente diagnosticado com TAG, distúrbio de ansiedade generalizada. Não consegui fazer mais estágios e formei apenas com o tempo de experiência do que fiz (menos de 6 meses).
Depois de formado eu fiquei cerca de 8 meses completamente estagnado, as únicas coisas que eu fazia era tomar meus remédios, jogar e dormir, este ciclo se repetia toda semana. Um belo dia resolvi não tomar mais os remédios e fui diminuindo aos poucos, um mês após largar os remédios tive dengue e naquela semana minhas plaquetas diminuíram de forma considerável, ao cogitar que eu poderia morrer minha vida veio à tona novamente o que resultou em uma grande crise de ansiedade, no final de julho deste ano.
Me senti como na época da síndrome do pânico, talvez um pouco menos pior por ter sido a segunda vez, chorava vários dias me perguntando por quê eu era daquela forma e por quê eu tinha que passar por tudo aquilo. Levei cerca de dois meses e meio para me recuperar parcialmente, a ponto de exercer minhas atividades sem limitações.
Em outubro, um amigo de longa data de meu pai me arranjou um emprego na empresa de Tecnologia dele, para mim eu estava me superando em todos os quesitos, havia mudado meu pensamento e saído do ócio, estava estudando programação feito um louco! Porém ele tinha o perfil de um empresário e não de Recursos Humanos, o problema disso é que ele mesmo fez a entrevista comigo em vez do RH, explicando de forma muito falha a minha função na empresa. Ao chegar para trabalhar me deparei com um serviço aparentemente pesado que envolvia plantões, horários aleatórios para trabalhar e viagens para cidades do interior a serviço de clientes, isso fez com que minha ansiedade saísse completamente do eixo e eu pedi demissão no terceiro dia de trabalho.
Não me arrependo de ter saído, o estresse foi tanto durante esses três dias que tive que suspender a diminuição dos remédios que meu psiquiatra havia recomendado. Me doeu muito o fato de ter pedido conta, me fez lembrar de quando eu pedi conta do meu estágio e o quão decepcionante aquilo foi para mim na época.
Algumas semanas se passaram e conheci uma garota que me seguia a anos no Instagram, ela era de uma igreja próxima ao meu bairro e eu fiquei maravilhado com ela, não só pela beleza mas por tantos projetos sociais que ela participava e a forma que ela se empenhava em estudar. Fui pegando intimidade com ela e quando percebi já conhecia todas as pessoas da casa dela e mais algumas de fora como o cunhado dela, algumas tias e amigos.
Perante a essa paixão minha ansiedade não se conteve novamente e eu acabei dizendo a ela bem precoce que gostava dela, ela parecia ter um certo interesse em mim, mas daqueles de ter uma noite divertida e parar naquilo. O resultado foi um fora que me desestruturou um pouco, eu segui firme participando da igreja e indo com ela em lugares que ambos frequentávamos, como por exemplo o clube. Certo dia falei novamente com ela que gostava dela e ela me revelou que estava disposta a me dar uma chance.
O resumo dessa história foram dois dias que saímos juntos, uma vez para o cinema e outra vez em uma parte histórica da cidade, foi lindo ambas as vezes, minha memória recorda e chega a doer. Parecia tudo ótimo, mas não era bem assim, eu me esforçava para ter a atenção dela, estava sempre fazendo coisas incríveis como bolando presentes feitos a mão, desenhos, textos, poesias, tenho um livro em produção e criei um personagem para ela, a ajudei a fazer trabalhos dela relacionados a tecnologia. Para piorar eu estava criando vinculo com o pessoal da igreja e eu estava sofrendo com ela, pois percebia que as pessoas que criei vinculo, inclusive da família dela me davam mais atenção do que ela própria.
Um dia, após sair com as amigas e me deixar no vácuo, houve uma confraternização na igreja, onde ela mal conversou comigo, ao final chamei ela para fazer algo e ela argumentou que estava cansada. Já estava chateado com a situação e acabei deixando os grupos da igreja, ela me procurou para saber o que se passava e se desculpar pela falta de atenção. Achei ser uma boa oportunidade para expor como eu estava me sentindo com tudo e tentar ver se podíamos melhorar, como ainda não namorávamos eu fui total simples nas palavras e sutil, falei nada que pudesse soar como um compromentimento ou autoridade sobre ela.
Ela levou mais de 14 horas para me responder, e bem, a resposta foi um fora. Eu não estava surpreso com a resposta, porém fiquei arrasado, isso aconteceu ontem no Domingo (15/12/2019), fiquei sem rumo pois sou muito sentimental e não vejo como continuar frequentando a igreja sem alimentar um desejo ou mágoa por ela, fazendo com que aquele alicerce de pessoas que eu estava criando naquele lugar desmoronasse.
Para piorar sou frustrado profissionalmente, por não ter muita experiência em estágios não consegui atuar na minha área, meu pai é uma pessoa que possui certo dinheiro, porém tenho 24 anos e não acho que seja obrigação dele financiar uma faculdade para mim (até por isso estudei para conseguir bolsa na primeira), meu plano seria juntar dinheiro e começar outra faculdade para poder estagiar e adquirir experiência na minha área (não necessáriamente formar no curso, queria experiência do estágio e assim que me tornar um profissional Jr. trancar o curso e partir para uma pós graduação).
Para isso me sujeitei a trabalhar de faz-tudo numa fábrica de camisas, sendo que o final e início de ano são as épocas de maior fluxo de venda da empresa. Estou trabalhando de auxiliar administrativo, estoquista, vendedor, vendedor de e-commerce e as vezes até´mexo com algo de programação. Me sinto infeliz neste lugar, o salário não é bom, as condições de trabalho não são boas e o único benefício é o vale transporte em dinheiro. Sinto grande ansiedade no trabalho, o tempo parece arrastar, o trabalho parecer ser árduo e a fábrica fica em um lugar de classe baixa da cidade, o que me dá uma sensação de insegurança.
Não consigo me desligar no trabalho em casa, nem nos finais de semana, pensamentos da síndrome do pânico me atormentam, penso que um dia meus pais vão morrer, que eu irei morrer e isso fica me martelando de uma forma ruim. Penso na menina, nos poucos momentos bons que tivemos e no que me sujeitei a fazer por ela, penso nos meus amigos da igreja (para piorar a dona da empresa é da igreja e fica tocando músicas da igreja no meu trabalho o que me faz lembrar dela, as pessoas também ficam me dizendo que me viram na igreja ou em fotos da mesma em redes sociais).
Fico me perguntando se o meu problema é trabalhar, se eu não levo jeito para isso e obviamente fico péssimo pensando nisso porque trabalhar é o mínimo da dignidade, todo mundo quer trabalhar para ter seu dinheiro de forma digna (exclui-se meliantes desse comentário). E tudo isso citado me atinge enquanto estou trabalhando.
Meu sonho é ter paz mental, conseguir parar de tomar meus remédios, me tornar um bom profissional sem que o emprego pareceça uma grande tortura (inclusive estudei muito até entrar nesse trabalho para ficar fera no básico de programação front-end), e viver, sem me preocupar tanto em quando e como vou morrer, já que isso é algo natural e sem escapatória, ser independente para me sentir seguro comigo mesmo.
Este é um grande texto, iniciado as 10:00 mas terminado agora, pois me pegaram escrevendo ele no emprego e fui chamado àtenção. Senti a necessidade de colocar minha vida para fora, de alguma forma tenho a necessidade de me expor para as pessoas, não sei de onde desenvolvi isso e acho prejudicial... Mas aqui posso fazer de forma anônima.
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